by Luís de Camões (c1524 - 1580)
Mas Porém a que Cuidados
Language: Portuguese (Português)
Tanto maiores tormentos
foram sempre os que sofri
daquilo que cabe em mi,
que não sei que pensamentos
são os para que naci.
Quando vejo este meu peito
A perigos arriscados
Inclinado, bem suspeito
Que a cuidados sou sujeito,
Mas porém a que cuidados?
Ao mesmo.
Que vindes em mi buscar,
Cuidados, que sou captivo?
Eu não tenho que vos dar:
Se vindes a me matar,
Ja ha muito que não vivo:
Se vindes, porque me dais
Tormentos desesperados,
Eu, que sempre soffri mais,
Não digo que não venhais;
Mas porém a que cuidados?
Ao mesmo..
Se as penas que Amor me deu,
Vem por tão suaves meios,
Não ha que temer receios;
Que val hum cuidado meu
Por mil descansos alheios.
Ter n’huns olhos tão formosos
Os sentidos enlevados,
Bem sei qu’em baixos estados
São cuidados perigosos;
Mas porém a que cuidados?...
Carta com a glosa acima..
Confirmed with Obras completas de Luis de Camões III, Lisboa : Livraria Europea de Baudry, 1843, p.105
Text Authorship:
- by Luís de Camões (c1524 - 1580), "Mas porém a que cuidados?" [author's text checked 1 time against a primary source]
Musical settings (art songs, Lieder, mélodies, (etc.), choral pieces, and other vocal works set to this text), listed by composer (not necessarily exhaustive):
- by Berta Alves de Sousa (1906 - 1997), "Mas Porém a que Cuidados", 1971 [ mixed chorus ] [sung text not yet checked]
Researcher for this page: Joost van der Linden [Guest Editor]
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