Vejo-te em seda e nácar, E tão de orvalho trêmula, Que penso ver, efêmera, Toda a belza em lágrimas Por ser bela e ser frágil. Meus olos te ofereço: Espelho para a face Que terás, no meu verso, Quando, depois, que passes, Jamais ninguém te esqueça. Então, de seda e nácar, Toda de orvalho trêmula, Será eterna. E efêmero, O rosto teu, nas lágrimas Do teu orvalho ... E frágil.
Quatro motivos da rosa
Song Cycle by José Antônio Resende de Almeida Prado (b. 1943)
1. Primeiro motivo da rosa
Language: Portuguese (Português)
Text Authorship:
- by Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 - 1964)
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Researcher for this page: Mirna Rubim2. Segundo motivo da rosa
Language: Portuguese (Português)
Por mais que te celebre, não me escutas, Embora em forma e nácar te assemelhas, À concha soante, à musical orelha Que grava o mar nas íntimas volutas. Deponho-te em cristal, defronte a espelhos..., Sem eco de citernas ou de gustas... Ausências e cegueiras absoluas Ofereces às vestas e abelhas, E a quem te adora, ó surda e silenciosa, E cega e bela e interminável rosa, Que em tempo e aroma e verso te transmutas! Sem terra nem estrelas brilhas, presa A meu sonho , insensível à beleza Que és e não sabes, porque não me escutas...
Text Authorship:
- by Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 - 1964)
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Researcher for this page: Mirna Rubim3. Terceiro motivo da rosa
Language: Portuguese (Português)
Se Omar chegasse esta manhã Como veria a tua face. Omar Khayyam, Tu, que és do vinho, E de romã, E, por orvalho e por espinho, Aço de espada de Aldelarã? Se Omar e visse esta manhã, Talvez sorvesse com meiguice Teu chiro de mel e maçã. Talvez em suas mãoos morenas Te tomasse, e dissesse apenas: "É curta a vida, minha irmã" Mas por onde anda a sombra antiga Do amargo astrônomo do Irã? Por isso, deixo esta cantiga - Tempo de mim, asa de abelha - Na tua carne eterna e vã, Rosa vermelha! Para que vivas, porque és linda, E conigo respire ainda Omar Khayyam.
Text Authorship:
- by Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 - 1964)
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Researcher for this page: Mirna Rubim4. Quarto motivo da rosa
Language: Portuguese (Português)
Não te afliges com a pétala que voa: Também é ser, deixar de ser assim. Rosas verás, só de cinza franzida, Mortais intactas pelo teu jardim. Eu deixo o aroma até nos meus espinhos, Ao longe o vento vai falando de mim. E por perder-me é que me vão lembrando, Por desfolhar-me é que não tenho fim.
Text Authorship:
- by Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 - 1964)
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