by Fernando Pessoa (1888 - 1935)
Liberdade
Language: Portuguese (Português)
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Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doura Sem literatura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca...
Confirmed with Fernando Pessoa, Poesia: 1931 – 1935 E Não Datada, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas e Madalena Dine. Lisboa : Assírio & Alvim, 2006, p.378
Text Authorship:
- by Fernando Pessoa (1888 - 1935), "Liberdade", written 1935, Lisboa : Seara Nova, first published 1937 [author's text checked 1 time against a primary source]
Musical settings (art songs, Lieder, mélodies, (etc.), choral pieces, and other vocal works set to this text), listed by composer (not necessarily exhaustive):
- by Maria de Lourdes Martins (1926 - 2009), "Liberdade", copyright © 2026 [ voice and piano ], AvA Musical Editions
Publisher: AvA Musical Editions [external link]  [sung text not yet checked]
Researcher for this page: Joost van der Linden [Guest Editor]
This text was added to the website: 2026-09-13
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