Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.)
Três Canções com Pessoa , opus 10
by Anne Victorino d'Almeida (b. 1978)
1. Cartas de Amor são Ridículas  [sung text not yet checked]
Language: Portuguese (Português)
Text Authorship:
- by Fernando Pessoa (1888 - 1935), as Álvaro de Campos, "Todas as cartas de amor são ridículas"
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2. É Inútil Tudo  [sung text not yet checked]
Language: Portuguese (Português)
Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento, Vem brandamente com a tarde a oportunidade da perda. Adormeço sem dormir, ao relento da vida. É inútil dizer-me que as ações têm conseqüências. É inútil eu saber que as ações usam conseqüências. É inútil tudo, é inútil tudo, é inútil tudo. Através do dia de névoa não chega coisa nenhuma. Tinha agora vontade De ir esperar ao comboio da Europa o viajante anunciado, De ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo. Não vem com a tarde oportunidade nenhuma.
Text Authorship:
- by Fernando Pessoa (1888 - 1935), as Álvaro de Campos
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3. Quero Acabar Entre Rosas  [sung text not yet checked]
Language: Portuguese (Português)
Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância. Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio. Falem pouco, devagar, Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento. O que quis? Tenho as mãos vazias, Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua. O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta. O que vivi? Era tão bom dormir!
Text Authorship:
- by Fernando Pessoa (1888 - 1935), as Álvaro de Campos, written 1931, Descobrimento, Lisboa: Inverno, first published 1931-1932
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