by Manuel Bandeira (1886 - 1968)
Ao crepúsculo
Language: Portuguese (Português)
O crepúsculo cai, tão manso e benfazejo Que me adoça o pesar de estar em terra estranha. E enquanto o ângelus abençoa o lugarejo, Eu penso em ti, apaziguado e sem desejo, Fitando no horizonte a linha da montanha. A montanha é tranqüila e forte, e grande e boa. Ela afaga o meu sonho. E alegra-me pensar (Tanto a saudade a um tempo acalenta e magoa!) Que tu, na doce paz da tarde que se escoa, Teces o mesmo sonho, ouvindo e vendo o mar. Embalada na voz do grande solitário, Tu mortificarás teu casto coração Na dor de revocar o noivado precário. (Ah, por que te confiei o meu desejo vário? Por que me desvendaste a tua sedução?) Se nos aparta o espaço, o tempo -- esse nos liga. A lembrança é no amor a cadeia mais pura. Tu tens o grande Amigo e eu tenho a grande Amiga: O mar segredará tudo quanto eu te diga, E a montanha dir-me-á a tua imensa ternura.
Text Authorship:
- by Manuel Bandeira (1886 - 1968), "Ao crepúsculo", appears in A cinza das horas, first published 1917 [author's text not yet checked against a primary source]
Musical settings (art songs, Lieder, mélodies, (etc.), choral pieces, and other vocal works set to this text), listed by composer (not necessarily exhaustive):
- by Helza de Cordoville Camêu (1903 - 1995), "Ao crepúsculo", op. 25 no. 8 (1943), from Suite lírica, no. 8, voice and piano [sung text checked 1 time]
Researcher for this text: Emily Ezust [Administrator]
This text was added to the website: 2010-06-12
Line count: 20
Word count: 165